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  • Foto do escritorSandra Pedro

Abraçar a Mudança numa Nova Era de Transformação Organizacional

Atualizado: 13 de ago. de 2023

As últimas décadas testemunharam mudanças sem precedentes em todos os níveis. A necessidade ágil de se adaptar no meio a uma pandemia global e a entrada de novas gerações no cenário profissional desencadearam uma onda revolucionária de redefinição de valores e comportamentos que está a ter repercussões nas empresas. E este é somente o começo, um prelúdio das revoluções ainda por vir.


A grande revelação: a vida é composta por uma miríade de dimensões, para além do âmbito profissional. O próprio conceito de sucesso está reconfigurado. A decisão de abandonar uma função não é mais impulsionada pelo temor de atravessar horas no trânsito.


As pessoas optam por um estilo de vida que lhes proporciona tempo de qualidade e valorizam a saúde emocional e mental como pilares fundamentais para um desempenho profissional excepcional. Elas compreenderam que, sem saúde mental e física, a capacidade de cuidar de si mesmas, do trabalho e das relações afetivas é profundamente limitada.


Os colaboradores procuram líderes e empresas alinhados com seus valores, líderes que traduzam palavras em ações concretas. A ação, neste contexto, suplanta a retórica. Da mesma maneira que os consumidores escolhem o que melhor lhes convém, os colaboradores também priorizam suas próprias necessidades em relação ao que beneficia a empresa.

O conceito de trabalho vitalício é coisa do passado. Hoje, a ênfase recai sobre as experiências que o trabalho proporciona. O ambiente de trabalho torna-se atrativo quando estimula a criatividade, a expressão de ideias, defende causas sociais e ambientais e fornece espaço para o desenvolvimento pessoal e reconhecimento. Se estas condições estiverem presentes, então e somente então, os colaboradores consideram permanecer. A era da garantia chegou ao fim, pois numa economia global, trabalhar para uma empresa sediada a milhares de quilômetros de distância é tão tangível quanto trabalhar no escritório ao lado.


O que prevalece é a liberdade de escolha. Uma liberdade que as empresas precisam aprender a abraçar se desejam manter profissionais qualificados, aumentar a produtividade e manter resultados sustentáveis.


No entanto, as mudanças transcenderam a permanência de profissionais. Emerge uma transformação de estilo de vida. Cada vez mais pessoas de diferentes gerações procuram um estilo de vida centrado na sustentabilidade, no qual a ênfase recai menos sobre bens materiais e mais sobre a qualidade de vida.


Após a satisfação das necessidades básicas, procura-se algo maior. Uma vida repleta de propósito, alinhada com valores e princípios individuais, revela-se uma prioridade.


E a liderança reside na compreensão destas mudanças. Implica aceitar e integrar estas transformações como oportunidades para evolução pessoal, corporativa e social. Para liderar num mundo de mudanças profundas, a compreensão intrínseca destas mudanças é crucial. Essa compreensão, por sua vez, deriva da exploração da natureza humana, o que nos leva ao autoconhecimento e inteligência positiva e inteligência emocional, capacidades que nunca foram tão essenciais como hoje.


Afirma-se que a Felicidade é o objetivo supremo do ser humano. No entanto, para muitos, a visão da Felicidade tem sido distorcida, vinculada a bens materiais, dinheiro e poder. Contudo, a verdadeira busca pela Felicidade e valores autênticos emerge, o que leva cada vez mais indivíduos a trilharem caminhos únicos. Estes caminhos são marcados por desafios e vitórias, autenticidade e convicção.


Hoje, a mudança reflete-se numa cultura corporativa humanizada, com foco nas pessoas. Uma abordagem que parte de dentro para fora. O alicerce pode ser estabelecido através do Employer Branding. Porém, a verdade sempre encontra o seu caminho para fora, até mesmo nas organizações mais bem ranqueadas. Já não é mais possível mascarar intenções. Se uma equipa se torna tóxica, é imperativo investigar as razões subjacentes, pois somos todos seres humanos, confrontados por desafios pessoais, familiares e profissionais, portadores de traumas e medos que influenciam as nossas ações e impactam a nossa esfera de interações.


Atualmente, a verdade dentro das empresas ecoa diretamente nas relações dos colaboradores com os clientes. A excelência no atendimento ao cliente não pode ser alcançada quando o ambiente de trabalho opera com um modus operandi e uma mentalidade obsoleta. Este é apenas um exemplo dentre muitos que um consumidor atento notaria.


É crucial reconhecer que as empresas são constituídas por Pessoas e para Pessoas. Uma colaboração interdependente. O foco não está mais apenas no lucro como objetivo exclusivo. O lucro agora é considerado um meio para atingir fins mais abrangentes: colaboração, diversidade e inclusão. Estes termos transcendem dicionários, assumindo uma relevância prática. A interseção entre as ciências sociais e os negócios é evidente.


Perante este cenário, torna-se imperativo questionar como podemos acompanhar estas mudanças. A resposta está centrada nas Pessoas e nos seus relacionamentos. O investimento no desenvolvimento pessoal e profissional torna-se primordial. Contudo, a autenticidade e a transparência são os pilares que sustentam tudo. A liderança pessoal precede a liderança organizacional. Ao ser verdadeiro consigo mesmo/a, torna-se possível liderar o mercado. A suprema prioridade reside no SER.


No passado, como professora de Relações Públicas, costumava transmitir uma mensagem aos meus alunos: "Desejam se tornar os melhores profissionais de Relações Públicas do mercado? Então, mostrem às suas empresas como cuidar de seus colaboradores. Isso, por si só, fará de vocês os maiores profissionais para os stakeholders e os melhores recrutadores de talentos para as vossas empresas."


Devemos sempre lembrar que estamos a testemunhar um reflexo de nós mesmos. As mudanças estão ainda na sua infância e o progresso tecnológico iminente e a coexistência de equipas multigeracionais somente irão intensificar ainda mais estas transformações.


Estarão os líderes empresariais estão preparados para enfrentar tais desafios?



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